11.12.06

Entre a frigideira e o fogo

Há um tempo atrás, estávamos conversando na faculdade sobre o perigo da nova potência mundial ser a China, substituindo os EUA. A Renata argumentava que, por mais que os norte-americanos sejam arrogantes e, em muitos (bota muitos nisso) casos ignorantes quanto ao que se passa no resto do mundo, ainda havia um respeito às instituições, à democracia e à liberdade. Coisa que definitivamente não acontece na China.



Sob forte escolta policial, cerca de 100 prostitutas e seus clientes foram obrigados a desfilar para milhares de pessoas pelas ruas de Shenzhen, na província de Guangdong, na quarta-feira passada, como forma de punição pela imoralidade.

A polícia não apenas obrigou prostitutas e clientes a exibirem seus rostos - alguns protegidos apenas por máscaras cirúrgicas - como o nome, idade e local de nacimento foram divulgados e todos tiveram que vestir uma chamativa capa amarela durante o inusitado desfile, para os aplausos da platéia local.

Mas a austeridade da polícia causou indignação no país e o assunto foi parar em sites de bate-papo na internet, jornais e até em alguns programas em canais de TV a cabo. O que era para ser uma demonstração da intolerância do governo contra a imoralidade que os ares de abertura vêm soprando sobre a China terminou num dos maiores protestos da população chinesa contra a falta de respeito do governo chinês com relação à privacidade e aos direitos humanos.

Se coisas como essas - retiradas do excelente blog "No Oriente", do Gilberto Scofield Jr. de O Globo - acontecessem em qualquer outro país do mundo, estavam todos aí reclamando, fazendo discursos inflamados na ONU, tentando aplicar sanções ao país. Mas com a China ninguém mexe... então, fica a questão: o que é pior? O que vai acontecer quando esse pessoal for o dono do mundo, coisa que está bem próxima de acontecer?

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