Escrevendo um post meio tosco aqui, quase que uma tuitada com mais de 140 caracteres, mas não podia passar em branco:
Minha Preta e eu hoje, voltando do Mercado Central de Montevidéu (não sei se chama Mercado Central), pegamos um táxi. Os táxis daqui têm um vidrão tipo blindado, com uma gavetinha pra passar o dinheiro, deve ser por questão de segurança, achei estranho, nunca tinha visto assim. Eu gosto muito de puxar assunto com os motoristas de táxi onde quer que eu vá, é uma maneira de medir a opinião pública sem passar pela grande mídia. Me intimidou um pouco desde quando chegamos, mas hoje resolvi arriscar, naquele portunhol que faria Collor e Luxemburgo parecerem doutores em Línguas:
- E Mujica, que pensam sobre ele?
(o cara olhou pra trás, pra ver quem estava falando, e avisou, já percebendo que éramos brasileiros:)
- Mujica e Lula são assim (aquele gesto de dedos indicadores próximos), sabia?
- Sabia, eu adoro Lula, quero saber o que la gente de Uruguay pensa sobre Mujica
O cara falou como se fosse um daqueles libertadores sul-americanos. Sensacional. Como os argentinos também falam sobre seu povo. E os chilenos também. Os brasileiros não, que pena.
Falou de como Mujica está cansado de lutar contra a elite, mas que, seguindo Lula, como ele luta para um Uruguai livre e irmão dos irmãos da América do Sul.
Falou que antes de Lula, os países da América do Sul viviam isolados, só se comunicavam via Estados Unidos e Europa, agora somos irmãos, não temos fronteiras ('algo impensable antes de Lula'), que é uma alegria receber a todos, todos com seus sorrisos e seus apertos de mão, uma América que não se pensava mais existir.
Perguntei sobre reeleição, sobre popularidade. Ele disse que Mujica é muito popular, mas que está muito cansado, é uma luta desigual contra a elite (já viram este filme?), que não quer se candidatar, mas não achou ainda outro nome, como nosso Lula achou a Dilma.
Mas que espera que este caminho que a América do Sul está seguindo, ('con Mujica, con Lula y Dilma, con Rafael') de dar ao seu povo, sempre massacrado pela elite, a oportunidade de decidir seu destino, não se interrompa.
Um povo que agora tem voz, que tem emprego, todo mundo com emprego, orgulhoso, com seu trabalho, comprando suas coisas, fazendo seus projetos de vida.
Concordamos plenamente. Eu, emocionado. Minha esposa tucaninha, com olhos arregalados, concordando não sei se por educação, se por realmente sentir o que é o povo (não é o da Folha, Veja & Globo).
Ele perguntou como o Brasil via o Lula. Antes que eu completasse, ele me disse 'só o povo de São Paulo não gosta dele, não é?'. Eu concordei dizendo que não era São Paulo especificamente, mas a elite econômica, que não queria abrir mão de privilégios. Ele, já velhinho, fez uma cara de 'conheço isso', bem 'va bene', falou 'eu sou filho de italiano, sei como é esse preconceito, e não triunfará'. Darwin te ouça!
Saí extasiado, realizado, foi meu presente hoje, quando completo meu 1o ano de casado. Não sei se o povo do Uruguai é diferente, mais informado (pô, o cara sabe que São Paulo lidera o ódio anti-Lula) e nacionalista, ou se realmente há uma mudança de mentalidade da América do Sul inteira. Espero que seja a segunda hipótese.
E confiante que, com essa voz das ruas, a elite (aqui no Brasil representada pelo PSDB) não voltará a nos massacrar. Não mesmo.
Blog para discutir minhas posições pessoais sobre política, justiça, cidadania, marketing e tecnologia
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5.2.12
Ouvindo a voz das ruas
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30.12.10
Valeu, Lula!
Nunca na história desse país um presidente foi tão homenageado em blogs e nas redes sociais em sua saída. Por isso, já que é lugar comum, vou me atrever a também deixar aqui minhas palavras para o maior presidente da história do Brasil.
Lula, conheci você em 1982. Eu tinha só 10 anos, e recortava da Veja (perdoem-me, eu só tinha 10 anos) todos os quadros e gráficos das pesquisas de intenção de voto nas eleições estaduais daquele ano, colava em um caderninho.
'Torci' naquele para o Brizola, no Rio, em primeiro lugar (acompanhava tudo do Rio por causa do meu Mengão), para o Tancredo em Minas, e gostei daquele barbudo que disputou (e perdeu, como tantas outras) a eleição em SP.
Também em 1982 aprendi, ainda sem saber que viria a ser conhecido como PIG, como a imprensa distorcia e manipulava. A Globo fazia campanha aberta contra Brizola, não me lembro bem como foi, a apuração foi fraudada (help me Google), mas ele venceu, e neste dia eu escolhi meu lado. Seria eternamente socialista, contra os poderosos que manipulam as informações e o povo para conservar seus privilégios. E passei a detestar a Globo.
Depois disso veio a campanha pelas diretas, em 1984, e lá estava Lula, junto com Ulysses Guimarães e Brizola, liderando o movimento que, se não foi bem-sucedido a ponto de votarmos para presidente naquele ano, sepultou definitivamente a ditadura, mostrando a vontade popular de votar, aquele comício das Diretas, sei lá, um milhão de pessoas, eu vendo pela TV lá em Lajinha-MG, 12 anos de idade...
Pulo para 1989. Já na universidade, ainda que sem participar de movimento estudantil, era um ativista pró-Brizola. Só usava camisa do Brizola, boné do Brizola, lia livro do Brizola, filiei-me ao PDT, participava - morrendo de vergonha, sempre tive vergonha de entregar papel e falar com desconhecidos - de atividades de rua. Meu pai também era Brizola, o Banco do Brasil todo era, havia um sentimento de que ele era o cara pra nos salvar dessas oligarquias dos Agripinos e Sarneys que até hoje mandam no Brasil.
Mas, por muito pouco, quem foi para o segundo turno naquele ano contra Collor foi o 'sapo barbudo', como Brizola se referia a Lula. E tivemos que engolir o sapo barbudo. Todo mundo virou Lula, foi bonito demais, a campanha mais bonita da história. Todos os estudantes, todos os professores, todos os artistas da TV, todos os músicos - quase todos, havia alguns corajosos pró-Collor.
Veio toda a manipulação na TV pela Globo, quando Lula já aparecia tecnicamente empatado com Collor a poucos dias da eleição, tendo saído de uns 17% pra 41%, e Collor caído de mais de 50% para 42%. Essa história vergonhosa todos já conhecem e, mais uma vez, patrocinada pela vergonhosa Rede Globo.
Daí em diante minha vida sempre tinha o Lula. O cara persistente, líder nato, perdeu de novo em 1994, nem tínhamos muita esperança, mas ele tinha que ir lá marcar presença. Em 1998 a mesma coisa, FHC tinha comprado o esquema da reeleição, tinha manipulado o dólar e a economia para criar uma falsa sensação de bem-estar (que, como todos sabemos, explodiu no ano seguinte, que o levou a um segundo mandato tenebroso e, ao fim, com justos 74% de reprovação popular).
Eu ficava pensando se não era hora de Lula desistir, voltar a ser deputado, ajudar o Brasil de outra maneira. Mas não, acabava a eleição e já sabíamos que ele ia ser candidato de novo, e começávamos a produzir os adesivos tipo 'Feliz 1999' em 1994, e assim por diante. Paralelo a isso, ficava feliz aqui em BH, porque em 1989 Lula teve 69% contra 31% de Collor, elegemos Patrus, Célio de Castro, Fernando Pimentel... e TODAS as vezes que Lula vinha a BH eu ia vê-lo, em caminhadas ou comícios.
Em 2002 não tinha jeito, era o ano do cara. FHC e seu PSDB em baixa, um governo horroroso, tinha que ser aquela hora. Neste ano me filiei ao PT. Nunca tive nenhuma participação 'orgânica', não conheço nenhum político, só fui lá no diretório umas 10 vezes na vida, só pra buscar material de campanha. Mas tenho orgulho da minha carteirinha, de ser filiado.
Vencer não foi fácil, o PIG com as garras de fora, Veja e Globo fazendo campanha (não tão descarada como foi a de 2010, mas faziam), Lula não tinha nem um terço do espaço que davam a Serra, mas era nossa, não iam tomar. Foi sensacional acompanhar a apuração, todo mundo na rua, eu com Marquim meu sócio, gravamos CD com as músicas do Lula, ficávamos escutando no carro. Inesquecível. Como foi a posse de Lula, eu em Alcobaça-BA, a galera na praia, eu em frente à TV vendo aquele cara chegando à rampa... inesquecível, um monte de coisas inesquecíveis. (atualização, achei a foto, taí embaixo)!
A partir daí, pela primeira vez, eu não seria oposição. Seria mais fácil me 'desligar' um pouco, mas fiquei firme, já tinha internet, blog, etc, defendi o governo todas as vezes, em todos os papos, conversas de família e de botequim, mesmo na dureza que foi o 'mensalão' de 2005. Chegou 2006, Lulão fodão, mais uma vez achávamos que não tinha a menor chance de perder, mas o PIG se esforçou, arrumaram uma montanha de dinheiro dos aloprados pra tirar foto um dia antes do debate, depois Lula fez a cagada de não ir ao debate, Globo ficava filmando cadeira vazia, foi pro segundo turno mas... nós e Lula demos uma surra em Alckmin (coitado)
Então o segundo mandato de Lula foi o de recordes: recorde de emprego, juros (ainda altíssimos) em queda, economia bombando, pobres saindo da miséria, universidades e CEFETs sendo construídos, reservas lá em cima, credibilidade internacional. Uma festa total. Oposição perdida, orgulho cada vez maior de ter ajudado a colocar esse cara lá. Enfim, não cabe ficar falando aqui das realizações do governo. Elegemos Dilma baseados nestes indicadores que não podem ser contestados.
Lula foi melhor que o PSDB em TODOS os aspectos, Lula foi o maior presidente da história do Brasil, Lula sai com 87% de aprovação, número que NENHUM outro político terá.
Escrevo isso porque estive ontem na casa de amigos das antigas, rolou um VHS de um churrasco no interior, 1990, todo mundo lá tomando cerveja, tocando violão, e eu com camisa do Brizola/Lula (camisa do segundo turno). No dia seguinte, mais churrasco, eu com outra camisa do Lula.
É, Lulão, valeu. Espero sinceramente que você continue na ativa, mas também acho que, por ter virado um mito, você só tem a perder se quiser voltar. Mas tá no seu sangue, você é povo, não vai ficar só dando palestra na Sorbonne...
Com você, Lula, aprendi o que é povo, por que devemos lutar pela igualdade social, pelo fim da miséria. Você falava lá, desde 1982. Teve a chance de fazer o que falava. E não nos decepcionou. Você fez o que a gente esperava, Lula. Falta muito ainda, mas o fato de termos colocado Dilma lá significa que seu projeto que mudou o Brasil vai continuar.
Não é mais meia dúzia de donos de TV e jornais que decidem o nosso futuro. O Brasil agora é grande, o mundo inteiro reconhece e nós sabemos disso, nos orgulhamos, vamos pra frente, graças a você e graças ao povão.
Cazuza queria uma idelogia pra viver. Lula me deu uma: a busca incessante pela justiça social, único caminho para engrandecer o Brasil e colocá-lo onde merece. E a lição da persistência.
Porra, Lula, valeu demais!!!
Pra encerrar, segue o belo vídeo que o meu amigo 'quantotempodura' fez para homenagear O CARA:
Lula, conheci você em 1982. Eu tinha só 10 anos, e recortava da Veja (perdoem-me, eu só tinha 10 anos) todos os quadros e gráficos das pesquisas de intenção de voto nas eleições estaduais daquele ano, colava em um caderninho.
'Torci' naquele para o Brizola, no Rio, em primeiro lugar (acompanhava tudo do Rio por causa do meu Mengão), para o Tancredo em Minas, e gostei daquele barbudo que disputou (e perdeu, como tantas outras) a eleição em SP.
Também em 1982 aprendi, ainda sem saber que viria a ser conhecido como PIG, como a imprensa distorcia e manipulava. A Globo fazia campanha aberta contra Brizola, não me lembro bem como foi, a apuração foi fraudada (help me Google), mas ele venceu, e neste dia eu escolhi meu lado. Seria eternamente socialista, contra os poderosos que manipulam as informações e o povo para conservar seus privilégios. E passei a detestar a Globo.
Depois disso veio a campanha pelas diretas, em 1984, e lá estava Lula, junto com Ulysses Guimarães e Brizola, liderando o movimento que, se não foi bem-sucedido a ponto de votarmos para presidente naquele ano, sepultou definitivamente a ditadura, mostrando a vontade popular de votar, aquele comício das Diretas, sei lá, um milhão de pessoas, eu vendo pela TV lá em Lajinha-MG, 12 anos de idade...
Pulo para 1989. Já na universidade, ainda que sem participar de movimento estudantil, era um ativista pró-Brizola. Só usava camisa do Brizola, boné do Brizola, lia livro do Brizola, filiei-me ao PDT, participava - morrendo de vergonha, sempre tive vergonha de entregar papel e falar com desconhecidos - de atividades de rua. Meu pai também era Brizola, o Banco do Brasil todo era, havia um sentimento de que ele era o cara pra nos salvar dessas oligarquias dos Agripinos e Sarneys que até hoje mandam no Brasil.
Mas, por muito pouco, quem foi para o segundo turno naquele ano contra Collor foi o 'sapo barbudo', como Brizola se referia a Lula. E tivemos que engolir o sapo barbudo. Todo mundo virou Lula, foi bonito demais, a campanha mais bonita da história. Todos os estudantes, todos os professores, todos os artistas da TV, todos os músicos - quase todos, havia alguns corajosos pró-Collor.
Veio toda a manipulação na TV pela Globo, quando Lula já aparecia tecnicamente empatado com Collor a poucos dias da eleição, tendo saído de uns 17% pra 41%, e Collor caído de mais de 50% para 42%. Essa história vergonhosa todos já conhecem e, mais uma vez, patrocinada pela vergonhosa Rede Globo.
Daí em diante minha vida sempre tinha o Lula. O cara persistente, líder nato, perdeu de novo em 1994, nem tínhamos muita esperança, mas ele tinha que ir lá marcar presença. Em 1998 a mesma coisa, FHC tinha comprado o esquema da reeleição, tinha manipulado o dólar e a economia para criar uma falsa sensação de bem-estar (que, como todos sabemos, explodiu no ano seguinte, que o levou a um segundo mandato tenebroso e, ao fim, com justos 74% de reprovação popular).
Eu ficava pensando se não era hora de Lula desistir, voltar a ser deputado, ajudar o Brasil de outra maneira. Mas não, acabava a eleição e já sabíamos que ele ia ser candidato de novo, e começávamos a produzir os adesivos tipo 'Feliz 1999' em 1994, e assim por diante. Paralelo a isso, ficava feliz aqui em BH, porque em 1989 Lula teve 69% contra 31% de Collor, elegemos Patrus, Célio de Castro, Fernando Pimentel... e TODAS as vezes que Lula vinha a BH eu ia vê-lo, em caminhadas ou comícios.
Em 2002 não tinha jeito, era o ano do cara. FHC e seu PSDB em baixa, um governo horroroso, tinha que ser aquela hora. Neste ano me filiei ao PT. Nunca tive nenhuma participação 'orgânica', não conheço nenhum político, só fui lá no diretório umas 10 vezes na vida, só pra buscar material de campanha. Mas tenho orgulho da minha carteirinha, de ser filiado.
Vencer não foi fácil, o PIG com as garras de fora, Veja e Globo fazendo campanha (não tão descarada como foi a de 2010, mas faziam), Lula não tinha nem um terço do espaço que davam a Serra, mas era nossa, não iam tomar. Foi sensacional acompanhar a apuração, todo mundo na rua, eu com Marquim meu sócio, gravamos CD com as músicas do Lula, ficávamos escutando no carro. Inesquecível. Como foi a posse de Lula, eu em Alcobaça-BA, a galera na praia, eu em frente à TV vendo aquele cara chegando à rampa... inesquecível, um monte de coisas inesquecíveis. (atualização, achei a foto, taí embaixo)!
A partir daí, pela primeira vez, eu não seria oposição. Seria mais fácil me 'desligar' um pouco, mas fiquei firme, já tinha internet, blog, etc, defendi o governo todas as vezes, em todos os papos, conversas de família e de botequim, mesmo na dureza que foi o 'mensalão' de 2005. Chegou 2006, Lulão fodão, mais uma vez achávamos que não tinha a menor chance de perder, mas o PIG se esforçou, arrumaram uma montanha de dinheiro dos aloprados pra tirar foto um dia antes do debate, depois Lula fez a cagada de não ir ao debate, Globo ficava filmando cadeira vazia, foi pro segundo turno mas... nós e Lula demos uma surra em Alckmin (coitado)
Então o segundo mandato de Lula foi o de recordes: recorde de emprego, juros (ainda altíssimos) em queda, economia bombando, pobres saindo da miséria, universidades e CEFETs sendo construídos, reservas lá em cima, credibilidade internacional. Uma festa total. Oposição perdida, orgulho cada vez maior de ter ajudado a colocar esse cara lá. Enfim, não cabe ficar falando aqui das realizações do governo. Elegemos Dilma baseados nestes indicadores que não podem ser contestados.
Lula foi melhor que o PSDB em TODOS os aspectos, Lula foi o maior presidente da história do Brasil, Lula sai com 87% de aprovação, número que NENHUM outro político terá.
Escrevo isso porque estive ontem na casa de amigos das antigas, rolou um VHS de um churrasco no interior, 1990, todo mundo lá tomando cerveja, tocando violão, e eu com camisa do Brizola/Lula (camisa do segundo turno). No dia seguinte, mais churrasco, eu com outra camisa do Lula.
É, Lulão, valeu. Espero sinceramente que você continue na ativa, mas também acho que, por ter virado um mito, você só tem a perder se quiser voltar. Mas tá no seu sangue, você é povo, não vai ficar só dando palestra na Sorbonne...
Com você, Lula, aprendi o que é povo, por que devemos lutar pela igualdade social, pelo fim da miséria. Você falava lá, desde 1982. Teve a chance de fazer o que falava. E não nos decepcionou. Você fez o que a gente esperava, Lula. Falta muito ainda, mas o fato de termos colocado Dilma lá significa que seu projeto que mudou o Brasil vai continuar.
Não é mais meia dúzia de donos de TV e jornais que decidem o nosso futuro. O Brasil agora é grande, o mundo inteiro reconhece e nós sabemos disso, nos orgulhamos, vamos pra frente, graças a você e graças ao povão.
Cazuza queria uma idelogia pra viver. Lula me deu uma: a busca incessante pela justiça social, único caminho para engrandecer o Brasil e colocá-lo onde merece. E a lição da persistência.
Porra, Lula, valeu demais!!!
Pra encerrar, segue o belo vídeo que o meu amigo 'quantotempodura' fez para homenagear O CARA:
25.10.10
Dilma convoca a militância para continuar com garra nestes últimos dias
Reproduzo abaixo e-mail que recebi da campanha de nossa #Dilma13. Com nossa participação, poderemos ter no próximo domingo a primeira mulher presidente do Brasil.
Força total, sem dar importância a pesquisas, sem cair em provocações e continuando a defender o governo e Lula/Dilma das calúnias cada vez mais desesperadas do PIG.
Já temos notícia que o PSDB, achando que o mineiro é gado, está disparando 5 milhões daquele telefonema maroto, automático, em que uma gravação de Aécio tenta enganar quem atende o telefone como se fosse um diálogo. Acham que com essa estratégia de emburrecimento virarão o jogo.
Por outro lado, continuam os 'telefonemas do mal'. Agora dizem que Dilma está muito doente, que não vai cumprir mandato, etc. Quem não cumpre mandato é Serra, nunca cumpriu nenhum até o fim. Dilma está ótima!
Segue a carta e convocação para eleger a candidata do Brasil que está dando certo!
-----------------------------------------------------------------------------
Companheiras e companheiros,
A confiança de Dilma e Lula na militância para conquistar a vitória é total.
Nessa última semana de campanha, a energia da nossa militância vai fazer a diferença, como sempre fez.
Vamos às ruas deixar claro que Dilma é a única garantia de que o país vai continuar no caminho iniciado pelo Governo Lula, com desenvolvimento econômico, respeito à democracia e ao meio ambiente. É a única alternativa para continuarmos gerando empregos, distribuindo renda, garantindo moradia digna, saúde, segurança e edudação. É a única candidata que se compromete com a defesa do pré-sal, com uma política externa independente, com o fortalecimento das empresas estatais.
Vamos levar informações para combater a onda de boatos e calúnias em que se apóia a candidatura adversária, e não vamos em hipótese alguma, aceitar provocações.
Vamos falar com as pessoas, no trabalho, no ponto de ônibus, na comunidade e também na internet. Vamos de casa em casa conversar com as famílias.
Vamos usar bem os materiais de campanha. Se você não tem, produza o seu. No site da Dilma, você encontra tudo pronto para imprimir.
É muito importante estar presente em toda a parte, mostrando com paz e tranquilidade a opção Dilma13.
É dessa forma que vamos assegurar e ampliar a expressiva votação que deu vitória a Dilma no 1º turno e conquistar mais votos para reafirmar o nosso desejo de continuar construindo um Brasil justo, igualitário e fraterno. Vamos juntos(as), rumo à vitória!
Lembre-se: no dia da votação, é permitido o uso de camiseta, boné, botton, adesivo, símbolos dos partidos coligados ou de bandeira.
Veja aqui a lista de Materiais Dilma13
Adesivos - Lembre-se, adeviso não é panfleto. É para colar e não apenas para distribuir;
Perfurades, adesivos para carro - os adesivos maiores são preferencialmente para carros que circulam bastante. Nossa presença nas ruas é fundamental nessa reta final;
Folhetos - importantíssimo para o corpo-a-corpo, para entregar quando conversar com as pessoas;
Adesivos e cartazes - se você não os tem, escolha um. Clique e imprima o seu;
Bandeiras - devem estar na rua, sempre. Vale revezar, quando não estiver usando, empreste-a;
Faixas - são importantíssimas. Mapeie os lugares com boa visibilidade e peça autorização às pessoas para colocá-las;
Praguinhas e bottons - o uso incentiva outras pessoas a fazer o mesmo. Utilize sempre e distribua. Se for possível, cole uma nos simpatizantes que encontrar;
Colinhas - imprima tantas quantas puder distribuir aos seus amigos e conhecidos simpatizantes antes das eleições, pois no dia da eleição não é permitida a distribuição de material fora da sede do Partido.
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Força total, sem dar importância a pesquisas, sem cair em provocações e continuando a defender o governo e Lula/Dilma das calúnias cada vez mais desesperadas do PIG.
Já temos notícia que o PSDB, achando que o mineiro é gado, está disparando 5 milhões daquele telefonema maroto, automático, em que uma gravação de Aécio tenta enganar quem atende o telefone como se fosse um diálogo. Acham que com essa estratégia de emburrecimento virarão o jogo.
Por outro lado, continuam os 'telefonemas do mal'. Agora dizem que Dilma está muito doente, que não vai cumprir mandato, etc. Quem não cumpre mandato é Serra, nunca cumpriu nenhum até o fim. Dilma está ótima!
Segue a carta e convocação para eleger a candidata do Brasil que está dando certo!
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Companheiras e companheiros,
A confiança de Dilma e Lula na militância para conquistar a vitória é total.
Nessa última semana de campanha, a energia da nossa militância vai fazer a diferença, como sempre fez.
Vamos às ruas deixar claro que Dilma é a única garantia de que o país vai continuar no caminho iniciado pelo Governo Lula, com desenvolvimento econômico, respeito à democracia e ao meio ambiente. É a única alternativa para continuarmos gerando empregos, distribuindo renda, garantindo moradia digna, saúde, segurança e edudação. É a única candidata que se compromete com a defesa do pré-sal, com uma política externa independente, com o fortalecimento das empresas estatais.
Vamos levar informações para combater a onda de boatos e calúnias em que se apóia a candidatura adversária, e não vamos em hipótese alguma, aceitar provocações.
Vamos falar com as pessoas, no trabalho, no ponto de ônibus, na comunidade e também na internet. Vamos de casa em casa conversar com as famílias.
Vamos usar bem os materiais de campanha. Se você não tem, produza o seu. No site da Dilma, você encontra tudo pronto para imprimir.
É muito importante estar presente em toda a parte, mostrando com paz e tranquilidade a opção Dilma13.
É dessa forma que vamos assegurar e ampliar a expressiva votação que deu vitória a Dilma no 1º turno e conquistar mais votos para reafirmar o nosso desejo de continuar construindo um Brasil justo, igualitário e fraterno. Vamos juntos(as), rumo à vitória!
Lembre-se: no dia da votação, é permitido o uso de camiseta, boné, botton, adesivo, símbolos dos partidos coligados ou de bandeira.
Veja aqui a lista de Materiais Dilma13
Adesivos - Lembre-se, adeviso não é panfleto. É para colar e não apenas para distribuir;
Perfurades, adesivos para carro - os adesivos maiores são preferencialmente para carros que circulam bastante. Nossa presença nas ruas é fundamental nessa reta final;
Folhetos - importantíssimo para o corpo-a-corpo, para entregar quando conversar com as pessoas;
Adesivos e cartazes - se você não os tem, escolha um. Clique e imprima o seu;
Bandeiras - devem estar na rua, sempre. Vale revezar, quando não estiver usando, empreste-a;
Faixas - são importantíssimas. Mapeie os lugares com boa visibilidade e peça autorização às pessoas para colocá-las;
Praguinhas e bottons - o uso incentiva outras pessoas a fazer o mesmo. Utilize sempre e distribua. Se for possível, cole uma nos simpatizantes que encontrar;
Colinhas - imprima tantas quantas puder distribuir aos seus amigos e conhecidos simpatizantes antes das eleições, pois no dia da eleição não é permitida a distribuição de material fora da sede do Partido.
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18.10.10
Folha de São Paulo: como distorcer uma entrevista - ou 'os tucanos não têm jeito, têm horror a pobre'
Recebi mensagem do meu 'amigo virtual' @osvaldoacastro que, claro, queria me provocar porque ele não gosta do PT (mas odeia Serra), e eu sou PT. Uma entrevista do sociólogo Francisco de Oliveira, um dos fundadores do PT, que dispara críticas tanto ao seu ex-partido quanto ao PSDB
Vejam o título da entrevista e compare com os trechos que reproduzo. Fica parecendo pelo título que o sociólogo entrevistado é contra Lula e o PT. Mas vou resumir as principais afirmações dele durante a entrevista e você conclui se a manchete é ou não distorcida (sabendo que muita gente só lê a manchete para alimentar conversas de elevador ou retuitar sem ler)
O entrevistador tenta direcionar a entrevista para dizer que José Dirceu terá poder em um eventual Governo Dilma, que Lula é uma ameaça à democracia, e o entrevistado discorda de ambas as alegações.
Vejam como é o resumo da entrevista que a Folha faz nos 2 primeiros parágrafos, e como não bate com o resto, a começar pela primeira resposta, onde Francisco já diz que tucanos têm horror a pobre, expressão que é repetida várias vezes e que, por isso, seria merecedora da manchete, mas a 'opção' da Folha é outra...
E vejam na última frase que a Folha tenta arrancar dele de todo jeito uma escolha entre os candidatos, ao que ele reitera: 'É difícil. Os tucanos têm horror a pobre. Os tucanos não têm jeito'. Captou?
Francisco de Oliveira faz duras críticas a Lula ao PT, que devem ser democraticamente acolhidas e discutidas. Também faz ao PSDB, que 'não tem jeito', que administra 'por cima', 'pouco à vontade com o povo'. A entrevista tem seu valor e deve ser assim compreendida. Manipulada ou distorcida, aí não.
Não retransmita nada sem ler direito, nem acredite só nas manchetes. Quer falar sobre alguma coisa? Leia várias fontes, e o conteúdo todo, assim derrubamos esse tipo de manipulação perversa
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Sociólogo e fundador do PT afirma que 'Lula é mais privatista que FHC'
No começo de 2003, ano em que rompeu com o PT, o sociólogo Francisco de Oliveira, 76, afirmou que "Lula nunca foi de esquerda".
Agora, o professor emérito da USP dá um passo adiante e diz que Lula, mais que Fernando Henrique Cardoso, é "privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu".
Na entrevista abaixo, Oliveira, um dos fundadores do PT, também afirma que tanto faz votar em Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB), analisa o papel de Marina Silva (PV) e critica a entrada do aborto no debate político pela ótica da religião.
Folha - Qual a sua avaliação sobre o debate eleitoral no primeiro turno?
Francisco de Oliveira - Fora o horror que os tucanos têm pelos pobres, Serra e Dilma não têm posições radicalmente distintas: ambos são desenvolvimentistas, querem a industrialização...
O campo de conflito entre eles é realmente pequeno. Mas, por outro lado, isso significa que há problemas cruciais que nenhum dos dois está querendo abordar.
Que tipo de problema?
Não se trata mais de provar que a economia brasileira é viável. Isso já foi superado. O problema principal é a distribuição de renda, para valer, não por meio de paliativos como o Bolsa Família. Isso não foi abordado por nenhum dos dois.
A política está no Brasil num lugar onde ela não comove ninguém. Há um consenso muito raso e aparentemente sem discordâncias.
Dá a impressão que tanto faz votar em uma ou no outro...
É verdade. É escolher entre o ruim e o pior. (nota minha: repare que aqui ele não diz que são a mesma coisa. Existe um ruim e o pior. E abaixo, pelo que ele diz dos tucanos, percebe-se quem é o pior a que ele se refere)
Qual a sua opinião sobre a movimentação de igrejas pregando um voto anti-Dilma por causa de suas posições sobre o aborto? (a Folha se esquece de cidtar que essa campanha religiosa é alimentada por José Serra, que inclui até 'Jesus é a verdade' em seus santinhos agora)
É um péssimo sinal, uma regressão. A sociedade brasileira necessita urgentemente de reformas, e a política está indo no sentido oposto, armando um falso consenso.
O aborto é uma questão séria de saúde pública. Não adianta recuar para atender evangélicos e setores da Igreja Católica. Isso não salva as mulheres das questões que o aborto coloca.
O que significa a entrada desse tema no debate?
Representa o consenso por baixo devido ao êxito econômico. Essas posições conservadoras ganham força. Há uma tendência a todo mundo ser bonzinho. Nesse contexto, ninguém quer tomar posições consideradas radicais.
Com o progresso econômico, há um sentimento de conformismo que se alastra e se sedimenta, as pessoas ficam medrosas, conservadoras. Isso está ocorrendo no Brasil.
Gente da classe C e D mostra-se a favor de uma marcha de progresso lenta e contínua. Eles não querem briga, não querem conflito. Por isso o Lula paz e amor deu certo.
Se as pessoas tornam-se conservadoras, o que explica a divisão do Brasil quando considerada a votação de Dilma e Serra nos Estados?
É um racha. Significa que a questão da desigualdade regional ainda é muito marcante. Aliás, essa é outra questão que está fora da discussão. Os dois não querem abordar o tema. O que eles têm a dizer sobre os problemas regionais? O que fazer com as regiões deprimidas?
Por baixo disso tudo está a velha história de que São Paulo é uma locomotiva que puxa 25 vagões vazios.
Essa tensão existe. Esse desequilíbrio vai criando a sensação de que há um lado pobre e um lado rico. Como se houvesse um voto comprado, de curral eleitoral, e outro consciente. Há de fato uma fratura, e isso ressurge em períodos eleitorais.
O sr. foi um dos primeiros a romper com o PT, em 2003, e saiu fazendo duras críticas ao presidente. Lula, porém, termina o mandato extremamente popular. Na sua opinião, que lugar o governo Lula vai ocupar na história?
A meu ver, no futuro, a gente lerá assim:
Getúlio Vargas é o criador do moderno Estado brasileiro, sob todos os aspectos. Ele arma o Estado de todas as instituições capazes de criar um sistema econômico. E começa um processo de industrialização vigoroso. Lula, é bom que se diga, não é comparável a Getúlio.
Juscelino Kubitschek é o que chuta a industrialização para a frente, mas ele não era um estadista no sentido de criar instituições.
A ditadura militar é fortemente industrialista, prossegue num caminho já aberto e usa o poder do Estado com uma desfaçatez que ninguém tinha usado.
Depois vem um período de forte indefinição e inflação fora de controle.
O ciclo neoliberal é Fernando Henrique Cardoso e Lula. Coloco ambos juntos. Só que Lula está levando o Brasil para um capitalismo que não tem volta. Todo mundo acha que ele é estatizante, mas é o contrário.
Como o sr. avalia as afirmações de que o comportamento de Lula ameaça a democracia?
Não vejo como uma ameaça. Mas o Lula tem um componente intrinsecamente autoritário.
Em que sentido?
Ele não ouve ninguém, salvo um círculo muito restrito, e ele tem pouco apreço por instituições.
Eu o conheço desde os anos de São Bernardo. Ele tem a tendência, que casa perfeitamente com o estilo de política brasileira, de combinar primeiro num grupo restrito e, depois, fazer a assembleia. Ele sempre agiu assim.
Não é pessoal, é da cultura brasileira, ele foi cevado nisso. Mas não que ele queira derrubar a democracia.
Isso é da cultura política em que ele foi criado: o sindicalismo, que é um mundo muito autoritário, muito parecido com a cultura política mais ampla. E ele se dá bem, sabe se mover nesse mundo.
As instituições de fato não são o barato dele. Mas ele não ameaça a democracia do ponto de vista mais direto nem tem disposição de ser ditador. Acho essas afirmações um exagero, uma maldade, até. Elas têm um conteúdo político muito evidente.
Agora, certa ala do PT, com José Dirceu... Esse tem projetos mais autoritários.
E essa ala ganharia mais força num governo Dilma?
Acho que não. Porque Lula vigia ele de muito perto. Lula não gosta dele [José Dirceu]. Tem medo, até, do ponto de vista político. Ele veio de outra extração, a qual Lula detesta. Uma extração propriamente política, de esquerda.
O sr. já disse que Lula havia matado a sociedade civil. O que pode acontecer num governo Dilma e Serra? Haveria diferença?
Os governos tucanos têm horror ao povo. Isso não é força de expressão. É uma questão de classe social.
A cidade é grande, tem violência, a gente sabe. Mas eles não sabem como é o transporte, como são os hospitais, as escolas públicas. Há uma fratura real, eles perderam a experiência do cotidiano real. E isso não entra pelas estatísticas, só pela experiência.
Sobre Dilma eu não sei. Ela pode também sofrer desse mal.
Mas, do ponto de vista da evolução e da função dos movimentos sociais, qual dos dois é preferível?
Eis uma questão difícil. Os tucanos, com esse horror a pobre, tendem sempre a aumentar essa fratura, essa separação. Os tucanos não têm jeito...
Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui
Vejam o título da entrevista e compare com os trechos que reproduzo. Fica parecendo pelo título que o sociólogo entrevistado é contra Lula e o PT. Mas vou resumir as principais afirmações dele durante a entrevista e você conclui se a manchete é ou não distorcida (sabendo que muita gente só lê a manchete para alimentar conversas de elevador ou retuitar sem ler)
O entrevistador tenta direcionar a entrevista para dizer que José Dirceu terá poder em um eventual Governo Dilma, que Lula é uma ameaça à democracia, e o entrevistado discorda de ambas as alegações.
Vejam como é o resumo da entrevista que a Folha faz nos 2 primeiros parágrafos, e como não bate com o resto, a começar pela primeira resposta, onde Francisco já diz que tucanos têm horror a pobre, expressão que é repetida várias vezes e que, por isso, seria merecedora da manchete, mas a 'opção' da Folha é outra...
E vejam na última frase que a Folha tenta arrancar dele de todo jeito uma escolha entre os candidatos, ao que ele reitera: 'É difícil. Os tucanos têm horror a pobre. Os tucanos não têm jeito'. Captou?
Francisco de Oliveira faz duras críticas a Lula ao PT, que devem ser democraticamente acolhidas e discutidas. Também faz ao PSDB, que 'não tem jeito', que administra 'por cima', 'pouco à vontade com o povo'. A entrevista tem seu valor e deve ser assim compreendida. Manipulada ou distorcida, aí não.
Não retransmita nada sem ler direito, nem acredite só nas manchetes. Quer falar sobre alguma coisa? Leia várias fontes, e o conteúdo todo, assim derrubamos esse tipo de manipulação perversa
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Sociólogo e fundador do PT afirma que 'Lula é mais privatista que FHC'
No começo de 2003, ano em que rompeu com o PT, o sociólogo Francisco de Oliveira, 76, afirmou que "Lula nunca foi de esquerda".
Agora, o professor emérito da USP dá um passo adiante e diz que Lula, mais que Fernando Henrique Cardoso, é "privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu".
Na entrevista abaixo, Oliveira, um dos fundadores do PT, também afirma que tanto faz votar em Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB), analisa o papel de Marina Silva (PV) e critica a entrada do aborto no debate político pela ótica da religião.
Folha - Qual a sua avaliação sobre o debate eleitoral no primeiro turno?
Francisco de Oliveira - Fora o horror que os tucanos têm pelos pobres, Serra e Dilma não têm posições radicalmente distintas: ambos são desenvolvimentistas, querem a industrialização...
O campo de conflito entre eles é realmente pequeno. Mas, por outro lado, isso significa que há problemas cruciais que nenhum dos dois está querendo abordar.
Que tipo de problema?
Não se trata mais de provar que a economia brasileira é viável. Isso já foi superado. O problema principal é a distribuição de renda, para valer, não por meio de paliativos como o Bolsa Família. Isso não foi abordado por nenhum dos dois.
A política está no Brasil num lugar onde ela não comove ninguém. Há um consenso muito raso e aparentemente sem discordâncias.
Dá a impressão que tanto faz votar em uma ou no outro...
É verdade. É escolher entre o ruim e o pior. (nota minha: repare que aqui ele não diz que são a mesma coisa. Existe um ruim e o pior. E abaixo, pelo que ele diz dos tucanos, percebe-se quem é o pior a que ele se refere)
Qual a sua opinião sobre a movimentação de igrejas pregando um voto anti-Dilma por causa de suas posições sobre o aborto? (a Folha se esquece de cidtar que essa campanha religiosa é alimentada por José Serra, que inclui até 'Jesus é a verdade' em seus santinhos agora)
É um péssimo sinal, uma regressão. A sociedade brasileira necessita urgentemente de reformas, e a política está indo no sentido oposto, armando um falso consenso.
O aborto é uma questão séria de saúde pública. Não adianta recuar para atender evangélicos e setores da Igreja Católica. Isso não salva as mulheres das questões que o aborto coloca.
O que significa a entrada desse tema no debate?
Representa o consenso por baixo devido ao êxito econômico. Essas posições conservadoras ganham força. Há uma tendência a todo mundo ser bonzinho. Nesse contexto, ninguém quer tomar posições consideradas radicais.
Com o progresso econômico, há um sentimento de conformismo que se alastra e se sedimenta, as pessoas ficam medrosas, conservadoras. Isso está ocorrendo no Brasil.
Gente da classe C e D mostra-se a favor de uma marcha de progresso lenta e contínua. Eles não querem briga, não querem conflito. Por isso o Lula paz e amor deu certo.
Se as pessoas tornam-se conservadoras, o que explica a divisão do Brasil quando considerada a votação de Dilma e Serra nos Estados?
É um racha. Significa que a questão da desigualdade regional ainda é muito marcante. Aliás, essa é outra questão que está fora da discussão. Os dois não querem abordar o tema. O que eles têm a dizer sobre os problemas regionais? O que fazer com as regiões deprimidas?
Por baixo disso tudo está a velha história de que São Paulo é uma locomotiva que puxa 25 vagões vazios.
Essa tensão existe. Esse desequilíbrio vai criando a sensação de que há um lado pobre e um lado rico. Como se houvesse um voto comprado, de curral eleitoral, e outro consciente. Há de fato uma fratura, e isso ressurge em períodos eleitorais.
O sr. foi um dos primeiros a romper com o PT, em 2003, e saiu fazendo duras críticas ao presidente. Lula, porém, termina o mandato extremamente popular. Na sua opinião, que lugar o governo Lula vai ocupar na história?
A meu ver, no futuro, a gente lerá assim:
Getúlio Vargas é o criador do moderno Estado brasileiro, sob todos os aspectos. Ele arma o Estado de todas as instituições capazes de criar um sistema econômico. E começa um processo de industrialização vigoroso. Lula, é bom que se diga, não é comparável a Getúlio.
Juscelino Kubitschek é o que chuta a industrialização para a frente, mas ele não era um estadista no sentido de criar instituições.
A ditadura militar é fortemente industrialista, prossegue num caminho já aberto e usa o poder do Estado com uma desfaçatez que ninguém tinha usado.
Depois vem um período de forte indefinição e inflação fora de controle.
O ciclo neoliberal é Fernando Henrique Cardoso e Lula. Coloco ambos juntos. Só que Lula está levando o Brasil para um capitalismo que não tem volta. Todo mundo acha que ele é estatizante, mas é o contrário.
Como o sr. avalia as afirmações de que o comportamento de Lula ameaça a democracia?
Não vejo como uma ameaça. Mas o Lula tem um componente intrinsecamente autoritário.
Em que sentido?
Ele não ouve ninguém, salvo um círculo muito restrito, e ele tem pouco apreço por instituições.
Eu o conheço desde os anos de São Bernardo. Ele tem a tendência, que casa perfeitamente com o estilo de política brasileira, de combinar primeiro num grupo restrito e, depois, fazer a assembleia. Ele sempre agiu assim.
Não é pessoal, é da cultura brasileira, ele foi cevado nisso. Mas não que ele queira derrubar a democracia.
Isso é da cultura política em que ele foi criado: o sindicalismo, que é um mundo muito autoritário, muito parecido com a cultura política mais ampla. E ele se dá bem, sabe se mover nesse mundo.
As instituições de fato não são o barato dele. Mas ele não ameaça a democracia do ponto de vista mais direto nem tem disposição de ser ditador. Acho essas afirmações um exagero, uma maldade, até. Elas têm um conteúdo político muito evidente.
Agora, certa ala do PT, com José Dirceu... Esse tem projetos mais autoritários.
E essa ala ganharia mais força num governo Dilma?
Acho que não. Porque Lula vigia ele de muito perto. Lula não gosta dele [José Dirceu]. Tem medo, até, do ponto de vista político. Ele veio de outra extração, a qual Lula detesta. Uma extração propriamente política, de esquerda.
O sr. já disse que Lula havia matado a sociedade civil. O que pode acontecer num governo Dilma e Serra? Haveria diferença?
Os governos tucanos têm horror ao povo. Isso não é força de expressão. É uma questão de classe social.
Eles não têm contato com o real cotidiano popular. Eles não andam de ônibus, não têm experiência do cotidiano da cidade. Nem de metrô eles andam, o que é incrível.
A cidade é grande, tem violência, a gente sabe. Mas eles não sabem como é o transporte, como são os hospitais, as escolas públicas. Há uma fratura real, eles perderam a experiência do cotidiano real. E isso não entra pelas estatísticas, só pela experiência.
Por causa disso, o governo deles é sempre uma coisa muito por cima. Eles são pouco à vontade com o popular. Essa é a diferença marcante em relação a Lula.
Sobre Dilma eu não sei. Ela pode também sofrer desse mal.
Mas, do ponto de vista da evolução e da função dos movimentos sociais, qual dos dois é preferível?
Eis uma questão difícil. Os tucanos, com esse horror a pobre, tendem sempre a aumentar essa fratura, essa separação. Os tucanos não têm jeito...
Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui
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8.10.10
Para escolher é necessário comparar o currículo, não as promessas: Dilma ou Serra?
Infográfico muito bem feito com informações essenciais para você decidir que rumo quer dar ao Brasil. Feito pelo IlustreBob.
7.10.10
Está em dúvida sobre em quem votar? Compare os governos FHC/Serra x Lula/Dilma
Estava fazendo falta um vídeo que comparasse, de maneira didática, a diferença estrondosa entre o desempenho dos governos Lula-Dilma-PT e FHC-Serra-PSDB. Obrigado ao @Mr_Machado por tê-lo enviado.
Contra números não há argumentos. Veja e escolha que caminho você quer para o Brasil: seguir mudando ou dar marcha-a-ré.
E indique aos amigos. É muito importante sobretudo para os jovens que não sabem o que foi o período FHC-Serra (1994-2002), com o Brasil quebrado, de joelhos diante do FMI, com 45% de juros ao ano, dívida externa explodindo, sem gerar emprego, sem crescimento, com racionamento de energia, sem criar uma única universidade e com uma população recorde de miseráveis.
Contra números não há argumentos. Veja e escolha que caminho você quer para o Brasil: seguir mudando ou dar marcha-a-ré.
E indique aos amigos. É muito importante sobretudo para os jovens que não sabem o que foi o período FHC-Serra (1994-2002), com o Brasil quebrado, de joelhos diante do FMI, com 45% de juros ao ano, dívida externa explodindo, sem gerar emprego, sem crescimento, com racionamento de energia, sem criar uma única universidade e com uma população recorde de miseráveis.
6.10.10
Dois pesos: uma jornalista do Estadão denuncia o que a elite quer que os pobres pensem
Reproduzo abaixo excelente artigo de Maria Rita Kehl, do Estadão (aquele jornal que pelo menos teve a coragem - que Folha, Veja e Globo não tiveram - de assumir que está ao lado de Serra)
Maria Rita foi demitida mas, dada a repercussão na internet, foi readmitida minutos ou horas depois, mas com a condição de 'aprovação prévia' das próximas coisas que escrever.
Vale a denúncia da censura (em SP, onde Serra manda, desmanda, demite jornalistas tanto em jornais 'amigos' quanto na TV Cultura).
Vale pelo conteúdo excelente, que expõe os verdadeiros interesses dessa elite que, definitivamente, jamais vai engolir que o povo, via PT, via Lula e agora seguindo com Dilma, tenha vontade própria e, mais que isso, comande o destino do Brasil.
Leia, divulgue, repasse, forme sua opinião, não se deixe manipular.
--------------------------------------------------
Dois pesos...
Maria Rita Kehl
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente.
Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.
Publicado em 2/10/2010 no Estadão e reproduzido em toda a web, como no Blog do Noblat e no Vi o Mundo. Não sei se nos jornalões vai continuar no ar, aproveitem e leiam rápido.
Maria Rita foi demitida mas, dada a repercussão na internet, foi readmitida minutos ou horas depois, mas com a condição de 'aprovação prévia' das próximas coisas que escrever.
Atualização de 07/10: Maria Rita foi de fato demitida, leia aqui o que ela tem a dizer sobre seu 'delito de opinião'
Vale a denúncia da censura (em SP, onde Serra manda, desmanda, demite jornalistas tanto em jornais 'amigos' quanto na TV Cultura).
Vale pelo conteúdo excelente, que expõe os verdadeiros interesses dessa elite que, definitivamente, jamais vai engolir que o povo, via PT, via Lula e agora seguindo com Dilma, tenha vontade própria e, mais que isso, comande o destino do Brasil.
Leia, divulgue, repasse, forme sua opinião, não se deixe manipular.
--------------------------------------------------
Dois pesos...
Maria Rita Kehl
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente.
Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.
Publicado em 2/10/2010 no Estadão e reproduzido em toda a web, como no Blog do Noblat e no Vi o Mundo. Não sei se nos jornalões vai continuar no ar, aproveitem e leiam rápido.
19.9.10
O ambiente envenenado
Mais uma eleição e mais uma incrível 'coincidência' de escândalos do governo Lula, focados nas áreas por onde Dilma passou, todos na véspera da eleição.
E aí o ambiente fica nocivo, chato de ler, chato de ver TV, chato até de tuitar.
Mais que nunca, o ambiente político ficou dividido entre aqueles que acreditam na grande mídia, comandada por Globo-Folha e Veja/Abril e os que denunciam um 'golpe' para tirar o PT do poder.
Ia escrever um post dia desses, a convite até de um amigo do Twitter, que queria publicar um e-book, sobre redes sociais e política, algo assim. Comentei com meu amigo @rafasmaia (agora as pessoas têm nomes que começam por arrobas, vocês sabem) que desde 1989 a esquerda (eu incluído), liderada pelo PT, reclama pelo tratamento desigual dado pela grande mídia, mas sempre foi uma coisa restrita aos comunicados oficiais e bastidores.
Com a popularização do Twitter, a coisa ficou mais venenosa porque começou a ficar claro quem eram os jornalistas com uma tendência para um lado e quem eram para o outro.
Mas a grande novidade é que a reclamação contra o PIG (Partido da Imprensa Golpista, na definição do PHA), antes restrita à militância, passou a ser feita abertamente pelo Twitter, por dirigentes petistas, como Zé Dutra e Berzoini, denunciando quase que diariamente o exagero anti-Lula que se acirrou nas últimas semanas.
Até Lula, em um comício há poucos dias, falou pela primeira vez abertamente que vamos ganhar 'contra alguns jornais e revistas que pensam que formam opinião pública'.
Depois disso, esses veículos que ninguém em sã consciência ousa dizer que são imparciais (52% dos leitores do Blog do Noblat, reduto anti-petista, em enquete disseram que a cobertura jornalística favorece Serra) vêm, como sempre, posar de vítimas e dizer que o governo do PT é ditador, censor. Quer dizer que não podemos nem reclamar? Já apanhamos dia sim, dia também, de veículos de comunicação, alguns concessões públicas que descaradamente tentam impedir a continuidade do governo e nós é que somos implicantes sem razão?
Não venham dizer que não é golpismo, que estamos dividindo o Brasil. Quem divide o Brasil é essa imprensa tendenciosa e golpista sim. Golpista porque toma partido e, travestida de imparcial, faz acusações sem um mínimo de apuração, nunca ouve a outra parte, um massacre diário em que, quando se desmonta uma armação, já tem outra pronta.
Acharam que Dilma não decolaria, chamaram de feia, burra, sem carisma, que apanharia nos debates. Aconteceu justamente o contrário, a oposição se esfarelou e cada um passou a querer salvar o próprio mandato, e aí a imprensa assumiu de vez, sem vergonha de esconder, o papel de oposição ao governo e promoção do seu candidato, o candidato do passado que não queremos mais.
O tempo que falta para a eleição está sendo medido em 'capas de Veja'. Falta só uma, a do fim de semana que vem.
E a pergunta que me faço é: como vai ficar essa relação do possível governo Dilma com a mídia? Sorte que ela pessoalmente não reclama, mas o ambiente está por demais envenenado. Será que após 3 de Outubro (ou após o fim do 2o turno) a Veja volta a falar só de dinossauros e remédios, a Globo só fazendo jabá de seus próprios atores e 'músicos'?
A única certeza que tenho é que, se não conseguirem virar esta eleição, terá sido a última oportunidade. Em 2014, a rede terá papel muito maior na formação da opinião popular que a TV ou jornal - já este ano viram que não têm esse poder todo.
Sorte da democracia. Obrigado, Internet!
E aí o ambiente fica nocivo, chato de ler, chato de ver TV, chato até de tuitar.
Mais que nunca, o ambiente político ficou dividido entre aqueles que acreditam na grande mídia, comandada por Globo-Folha e Veja/Abril e os que denunciam um 'golpe' para tirar o PT do poder.
Ia escrever um post dia desses, a convite até de um amigo do Twitter, que queria publicar um e-book, sobre redes sociais e política, algo assim. Comentei com meu amigo @rafasmaia (agora as pessoas têm nomes que começam por arrobas, vocês sabem) que desde 1989 a esquerda (eu incluído), liderada pelo PT, reclama pelo tratamento desigual dado pela grande mídia, mas sempre foi uma coisa restrita aos comunicados oficiais e bastidores.
Com a popularização do Twitter, a coisa ficou mais venenosa porque começou a ficar claro quem eram os jornalistas com uma tendência para um lado e quem eram para o outro.
Mas a grande novidade é que a reclamação contra o PIG (Partido da Imprensa Golpista, na definição do PHA), antes restrita à militância, passou a ser feita abertamente pelo Twitter, por dirigentes petistas, como Zé Dutra e Berzoini, denunciando quase que diariamente o exagero anti-Lula que se acirrou nas últimas semanas.
Até Lula, em um comício há poucos dias, falou pela primeira vez abertamente que vamos ganhar 'contra alguns jornais e revistas que pensam que formam opinião pública'.
Depois disso, esses veículos que ninguém em sã consciência ousa dizer que são imparciais (52% dos leitores do Blog do Noblat, reduto anti-petista, em enquete disseram que a cobertura jornalística favorece Serra) vêm, como sempre, posar de vítimas e dizer que o governo do PT é ditador, censor. Quer dizer que não podemos nem reclamar? Já apanhamos dia sim, dia também, de veículos de comunicação, alguns concessões públicas que descaradamente tentam impedir a continuidade do governo e nós é que somos implicantes sem razão?
Não venham dizer que não é golpismo, que estamos dividindo o Brasil. Quem divide o Brasil é essa imprensa tendenciosa e golpista sim. Golpista porque toma partido e, travestida de imparcial, faz acusações sem um mínimo de apuração, nunca ouve a outra parte, um massacre diário em que, quando se desmonta uma armação, já tem outra pronta.
Acharam que Dilma não decolaria, chamaram de feia, burra, sem carisma, que apanharia nos debates. Aconteceu justamente o contrário, a oposição se esfarelou e cada um passou a querer salvar o próprio mandato, e aí a imprensa assumiu de vez, sem vergonha de esconder, o papel de oposição ao governo e promoção do seu candidato, o candidato do passado que não queremos mais.
O tempo que falta para a eleição está sendo medido em 'capas de Veja'. Falta só uma, a do fim de semana que vem.
E a pergunta que me faço é: como vai ficar essa relação do possível governo Dilma com a mídia? Sorte que ela pessoalmente não reclama, mas o ambiente está por demais envenenado. Será que após 3 de Outubro (ou após o fim do 2o turno) a Veja volta a falar só de dinossauros e remédios, a Globo só fazendo jabá de seus próprios atores e 'músicos'?
A única certeza que tenho é que, se não conseguirem virar esta eleição, terá sido a última oportunidade. Em 2014, a rede terá papel muito maior na formação da opinião popular que a TV ou jornal - já este ano viram que não têm esse poder todo.
Sorte da democracia. Obrigado, Internet!
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28.11.07
Por que não te calas, FHC?
Depois de falar bobagem, criticar o presidente Lula dizendo, inclusive com um sutil desvio das regras gramaticais, que o Brasil não aceita um presidente sem educação, FHC tomou o troco de Lula ontem à noite e agora diz que "não foi bem isso o que quis dizer".
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Na Folha:
O presidente disse que que as declarações do tucano não o incomodam, pois ele tem razão. "Não, não incomoda. Eu só posso dar exemplo quando deixar a presidência. Quando deixar a presidência, quero mostrar que é plenamente possível um presidente da República, depois de cumprir o seu mandato, fechar a boca e deixar o outro governar", completou.
"Ele tem razão. Obviamente que se comparar a educação, a formação intelectual do Fernando Henrique Cardoso, ele é muito mais estudado do que eu. Agora, é verdade que ele teve mais anos de escolaridade, mas é verdade que eu sei governar melhor do que ele", disse Lula.
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Abaixo, uma das charges sempre impagáveis de Maurício Ricardo, e o vídeo do "Isso é amor mal-compreendido entre nós dois", do "Explicando Henrique Cardoso".
Aliás, esse "amor mal-compreendido" é apenas a admissão do que todos já sabem, mas os tucanos não aceitam: que Lula gostaria de ter a intelectualidade de FHC, e FHC gostaria de ter o carisma de Lula.
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Na Folha:
O presidente disse que que as declarações do tucano não o incomodam, pois ele tem razão. "Não, não incomoda. Eu só posso dar exemplo quando deixar a presidência. Quando deixar a presidência, quero mostrar que é plenamente possível um presidente da República, depois de cumprir o seu mandato, fechar a boca e deixar o outro governar", completou.
"Ele tem razão. Obviamente que se comparar a educação, a formação intelectual do Fernando Henrique Cardoso, ele é muito mais estudado do que eu. Agora, é verdade que ele teve mais anos de escolaridade, mas é verdade que eu sei governar melhor do que ele", disse Lula.
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Abaixo, uma das charges sempre impagáveis de Maurício Ricardo, e o vídeo do "Isso é amor mal-compreendido entre nós dois", do "Explicando Henrique Cardoso".
Aliás, esse "amor mal-compreendido" é apenas a admissão do que todos já sabem, mas os tucanos não aceitam: que Lula gostaria de ter a intelectualidade de FHC, e FHC gostaria de ter o carisma de Lula.
22.3.07
Elle voltou... lamentável
Ontem, 21/03/07, o presidente Lula recebeu a bancada do PTB, partido que compõe a base de sustentação do governo, e o que mais chamou a atenção foi a recém-chegada principal estrela do partido: o ex-presidente cassado Fernando Collor de Melo.
Pensar nesta figura, lembrar desta figura me dá nojo. Sua campanha oportunista em 1989, sustentada pelas oligarquias e pela mídia tradicional, principalmente Veja e a Rede Globo, mostrava um cara jovem, renovador, que combatia a corrupção em seu estado (era governador de Alagoas até então). Não diziam que era descendente de família de políticos que se fez na ditadura e empresários de comunicação em Alagoas, que nem no estado morava, cresceu como playboy em Brasília, típico filhinho de papai irresponsável e impune. E que seu governo era, paradoxalmente, o mais corrupto do Brasil.
Nada que uma campanha bem-bolada, ajudada pelos veículos de sempre, os que cresceram com a ditadura - Globo e Veja, não resolvesse. Pois Collor saiu do zero, candidato por um partido que tinha acabado de fundar, o PRN - Partido da Reconstrução Nacional, virou favorito, acho que uns 40%, e foi disputar segundo turno com Lula, que tomou de Brizola o segundo lugar na última hora. Collor era o franco favorito, disparado. Lula, porém, com a adesão de todos os artistas, intelectuais, religiosos, pessoas sérias, organizações não-governamentais, estudantes, enfim, todo mundo que se preocupava com o perigo que este playboy da ditadura representava, voltou a encostar.
(essa parte agora foi copiada do Noblat, porque está bem sintetizada, não faz sentido eu copiar e mudar o texto, melhor dar o crédito).
Lula, que vinha crescendo na reta final da campanha, deslizou para a derrota depois da inusitada aparição de uma ex-namorada, Miriam Cordeiro, no programa eleitoral do PRN.
A cinco dias do segundo turno, Miriam encenou sob a direção de Collor um dos mais infames espetáculos de baixaria da história política brasileira - talvez o mais infame.
Acusou seu ex-namorado de "detestar negros". E de tê-la induzido ao aborto, no momento em que foi comunicar que estava grávida de Lurian, filha dele.
No maior país católico do mundo, onde mais da metade dos brasileiros não queria e não quer ainda mexer na lei do aborto, a confissão de Miriam explodiu como uma bomba – e Lula acabou perdendo a eleição por 4 milhões de votos entre 66 milhões apurados.
Era uma autêntica produção collorida para fins eleitoreiros.
Miriam foi convencida a dar seu depoimento em rede nacional de TV em troca de cerca de 250 mil cruzados - a finada moeda de Sarney que, hoje, representaria algo como 680 mil reais.
Nada mau para ela que vivia modestamente. Nada bom para uma democracia que enfrentava sua primeira eleição direta para presidente depois de um quarto de século de regime militar.
(fim do trecho copiado do Noblat)
O pior nem foi isso: acho que dois dias antes da eleição, o famoso 'debate da Globo' foi uma farsa, totalmente editado pra aparecer no Jornal Nacional no dia seguinte, véspera da eleição. Uma vergonha, até hoje me lembro de cada cena. No dia deste Jornal Nacional que entrou pra história da manipulação de fatos pela imprensa, Lula tinha acabado de passar Collor nas pesquisas, algo como 43 a 42%, menos que isso. Mas tinha passado. No dia seguinte a gente sabe o que deu. E depois, o governo que elegemos (elegeram). Tenho orgulho de ter ido às ruas apoiando Brizola no primeiro turno, Lula no segundo, e pedindo o impeachment de Collor depois.
Ainda vou achar o vídeo com essa 'matéria' sobre o debate. Noblat achou os vídeos com a repugnante denúncia de Collor com a ex-mulher de Lula (clique aqui)e a resposta de Lula (clique aqui). Mas, no Brasil, sabemos bem, reputações são destruídas com denúncias vazias, o ônus da prova cabe ao acusado, e não a quem acusa. Casos como a Escola Base, Ibsen Pinheiro, vários outros que acontecem o tempo todo estão aí pra nos alertar.
Em suma: é uma vergonha ver esse cara de volta. Lula, como estadista, não pode deixar de recebê-lo, pois está desempenhando um papel público, e o outro também. Mas, por favor, presidente, pare por aí.
Pensar nesta figura, lembrar desta figura me dá nojo. Sua campanha oportunista em 1989, sustentada pelas oligarquias e pela mídia tradicional, principalmente Veja e a Rede Globo, mostrava um cara jovem, renovador, que combatia a corrupção em seu estado (era governador de Alagoas até então). Não diziam que era descendente de família de políticos que se fez na ditadura e empresários de comunicação em Alagoas, que nem no estado morava, cresceu como playboy em Brasília, típico filhinho de papai irresponsável e impune. E que seu governo era, paradoxalmente, o mais corrupto do Brasil.
Nada que uma campanha bem-bolada, ajudada pelos veículos de sempre, os que cresceram com a ditadura - Globo e Veja, não resolvesse. Pois Collor saiu do zero, candidato por um partido que tinha acabado de fundar, o PRN - Partido da Reconstrução Nacional, virou favorito, acho que uns 40%, e foi disputar segundo turno com Lula, que tomou de Brizola o segundo lugar na última hora. Collor era o franco favorito, disparado. Lula, porém, com a adesão de todos os artistas, intelectuais, religiosos, pessoas sérias, organizações não-governamentais, estudantes, enfim, todo mundo que se preocupava com o perigo que este playboy da ditadura representava, voltou a encostar.
(essa parte agora foi copiada do Noblat, porque está bem sintetizada, não faz sentido eu copiar e mudar o texto, melhor dar o crédito).
Lula, que vinha crescendo na reta final da campanha, deslizou para a derrota depois da inusitada aparição de uma ex-namorada, Miriam Cordeiro, no programa eleitoral do PRN.
A cinco dias do segundo turno, Miriam encenou sob a direção de Collor um dos mais infames espetáculos de baixaria da história política brasileira - talvez o mais infame.
Acusou seu ex-namorado de "detestar negros". E de tê-la induzido ao aborto, no momento em que foi comunicar que estava grávida de Lurian, filha dele.
No maior país católico do mundo, onde mais da metade dos brasileiros não queria e não quer ainda mexer na lei do aborto, a confissão de Miriam explodiu como uma bomba – e Lula acabou perdendo a eleição por 4 milhões de votos entre 66 milhões apurados.
Era uma autêntica produção collorida para fins eleitoreiros.
Miriam foi convencida a dar seu depoimento em rede nacional de TV em troca de cerca de 250 mil cruzados - a finada moeda de Sarney que, hoje, representaria algo como 680 mil reais.
Nada mau para ela que vivia modestamente. Nada bom para uma democracia que enfrentava sua primeira eleição direta para presidente depois de um quarto de século de regime militar.
(fim do trecho copiado do Noblat)
O pior nem foi isso: acho que dois dias antes da eleição, o famoso 'debate da Globo' foi uma farsa, totalmente editado pra aparecer no Jornal Nacional no dia seguinte, véspera da eleição. Uma vergonha, até hoje me lembro de cada cena. No dia deste Jornal Nacional que entrou pra história da manipulação de fatos pela imprensa, Lula tinha acabado de passar Collor nas pesquisas, algo como 43 a 42%, menos que isso. Mas tinha passado. No dia seguinte a gente sabe o que deu. E depois, o governo que elegemos (elegeram). Tenho orgulho de ter ido às ruas apoiando Brizola no primeiro turno, Lula no segundo, e pedindo o impeachment de Collor depois.
Ainda vou achar o vídeo com essa 'matéria' sobre o debate. Noblat achou os vídeos com a repugnante denúncia de Collor com a ex-mulher de Lula (clique aqui)e a resposta de Lula (clique aqui). Mas, no Brasil, sabemos bem, reputações são destruídas com denúncias vazias, o ônus da prova cabe ao acusado, e não a quem acusa. Casos como a Escola Base, Ibsen Pinheiro, vários outros que acontecem o tempo todo estão aí pra nos alertar.
Em suma: é uma vergonha ver esse cara de volta. Lula, como estadista, não pode deixar de recebê-lo, pois está desempenhando um papel público, e o outro também. Mas, por favor, presidente, pare por aí.
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