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23.9.10

É golpe sim. A imprensa age como partido de oposição sim

Mais que envenenado, como coloquei no meu último post, o ambiente é de golpe mesmo.

Querem que aceitemos calados a pauta que eles nos impõem, as denúncias sem provas, especulações e distorções, enquanto acobertam denúncias graves e fundamentadas dos aliados de José Serra.

Divulgam e comemoram oscilações dentro de margem de erro como 'queda que pode levar ao segundo turno'.

Divulgam vídeos do PSDB comparando petistas a cães rottweilers, montagens com Dilma, e outras covardias e sujeiras mais.

Enquanto isso, se Dilma ou Lula reclamam do tratamento dado pela imprensa, posam de vítimas e dizem que o PT, Lula e Dilma são ditadores, querem dominar 'a opinião pública'.

Pois Lula disse exatamente isso, que nós aprendemos que nós somso, como o próprio nome diz, a opinião pública. Até hoje o PIG (Partido da Imprensa Golpista) se acha capaz de influenciar o que o povo brasileiro quer, pensa e decide. Não mais. Chega.

Esses mesmos veículos que 'clamam pela liberdade' apoiaram covardemente o golpe militar de 1964, com os mesmos editoriais venenosos, mentirosos, oportunistas típicos dessa elite que não quer aceitar dividir o poder com o povo.

Tenho muitos amigos que não gostam do PT. Não gostam de Lula, nem de Dilma. É direito deles. Mas, ajudando a eleger José Serra, estarão compactuando com essa baixaria descarada, imoral e ilegal inclusive, patrocinada pelas elites e liderada por Globo, Folha, Veja e Estadão. Ser oposição é lícito. Discordar é legal. Mas massacrar, caluniar, distorcer, sem dar tempo nem espaço ao contraditório não. Pensem bem.

Você acha que a imprensa está exercendo bem o seu papel? Esta eleição não é mais de Dilma contra Serra, virou Dilma contra a imprensa, tanto faz quem a representa. Serra é um zumbi, um idiota, que pauta sua campanha alternando ataques sincronizados com a mídia com promessas das quais seu próprio partido se envergonha, como salário-mínimo de R$ 600, 10% de aumento imediato para aposentados, criação de uma dúzia de ministérios e até o décimo-terceiro salário para o bolsa-família (ex-'bolsa-esmola', até dia desses).

Tem coisa errada? Denunciem mesmo, chamem a polícia, apurem, prendam. Mas que patriotismo é esse da imprensa que guarda denúncias anônimas na gaveta por um ano pra soltar a 15 dias da eleição? Que jornalismo é esse que só escuta um dos lados? Que cara-de-pau é essa de dizer que estão cumprindo seu papel democrático sem nenhum outro interesse?

Vejam o que disseram os editoriais dos principais jornais do Brasil nos dias seguintes ao golpe militar de 31 de Março de 1964, que implantou a ditadura no Brasil, no vídeo abaixo. E entenda de uma vez por todas o que é o PIG - Partido da Imprensa Golpista e como estão repetindo o ambiente de 'ilegalidade' agora em 2010, visando eleger o candidato das elites, dos oligarcas e barões, José Serra.

19.9.10

O ambiente envenenado

Mais uma eleição e mais uma incrível 'coincidência' de escândalos do governo Lula, focados nas áreas por onde Dilma passou, todos na véspera da eleição.

E aí o ambiente fica nocivo, chato de ler, chato de ver TV, chato até de tuitar.

Mais que nunca, o ambiente político ficou dividido entre aqueles que acreditam na grande mídia, comandada por Globo-Folha e Veja/Abril e os que denunciam um 'golpe' para tirar o PT do poder.

Ia escrever um post dia desses, a convite até de um amigo do Twitter, que queria publicar um e-book, sobre redes sociais e política, algo assim. Comentei com meu amigo @rafasmaia (agora as pessoas têm nomes que começam por arrobas, vocês sabem) que desde 1989 a esquerda (eu incluído), liderada pelo PT, reclama pelo tratamento desigual dado pela grande mídia, mas sempre foi uma coisa restrita aos comunicados oficiais e bastidores.

Com a popularização do Twitter, a coisa ficou mais venenosa porque começou a ficar claro quem eram os jornalistas com uma tendência para um lado e quem eram para o outro.

Mas a grande novidade é que a reclamação contra o PIG (Partido da Imprensa Golpista, na definição do PHA), antes restrita à militância, passou a ser feita abertamente pelo Twitter, por dirigentes petistas, como Zé Dutra e Berzoini, denunciando quase que diariamente o exagero anti-Lula que se acirrou nas últimas semanas.

Até Lula, em um comício há poucos dias, falou pela primeira vez abertamente que vamos ganhar 'contra alguns jornais e revistas que pensam que formam opinião pública'.

Depois disso, esses veículos que ninguém em sã consciência ousa dizer que são imparciais (52% dos leitores do Blog do Noblat, reduto anti-petista, em enquete disseram que a cobertura jornalística favorece Serra) vêm, como sempre, posar de vítimas e dizer que o governo do PT é ditador, censor. Quer dizer que não podemos nem reclamar? Já apanhamos dia sim, dia também, de veículos de comunicação, alguns concessões públicas que descaradamente tentam impedir a continuidade do governo e nós é que somos implicantes sem razão?

Não venham dizer que não é golpismo, que estamos dividindo o Brasil. Quem divide o Brasil é essa imprensa tendenciosa e golpista sim. Golpista porque toma partido e, travestida de imparcial, faz acusações sem um mínimo de apuração, nunca ouve a outra parte, um massacre diário em que, quando se desmonta uma armação, já tem outra pronta.

Acharam que Dilma não decolaria, chamaram de feia, burra, sem carisma, que apanharia nos debates. Aconteceu justamente o contrário, a oposição se esfarelou e cada um passou a querer salvar o próprio mandato, e aí a imprensa assumiu de vez, sem vergonha de esconder, o papel de oposição ao governo e promoção do seu candidato, o candidato do passado que não queremos mais.

O tempo que falta para a eleição está sendo medido em 'capas de Veja'. Falta só uma, a do fim de semana que vem.

E a pergunta que me faço é: como vai ficar essa relação do possível governo Dilma com a mídia? Sorte que ela pessoalmente não reclama, mas o ambiente está por demais envenenado. Será que após 3 de Outubro (ou após o fim do 2o turno) a Veja volta a falar só de dinossauros e remédios, a Globo só fazendo jabá de seus próprios atores e 'músicos'?

A única certeza que tenho é que, se não conseguirem virar esta eleição, terá sido a última oportunidade. Em 2014, a rede terá papel muito maior na formação da opinião popular que a TV ou jornal - já este ano viram que não têm esse poder todo.

Sorte da democracia. Obrigado, Internet!

24.6.08

Aécio Neves: O dono da voz

Aqui a imprensa não pode criticar o governo. Então vamos ver lá fora o que falam de Minas. Este vídeo está circulando no YouTube com entrevistas, reportagens em jornais famosos, como o Le Monde, e dá uma pequena idéia do que se passa aqui.

Por mais que tentem desmentir, parece que é verdade. Eu mesmo, Tales, já ouvi de um aluno que trabalhava no Estado de Minas que a Andréa Neves está sempre presente na redação fiscalizando a pauta. Também tenho amigos que trabalham em outros veículos que me contam como são as relações com Andréa Neves (quem de fato manda, censura e é dona até de rádio aqui em BH). Muita gente em BH morre de medo dela.

Vejam, por exemplo, a Rádio Jovem Pan BH. Procurando no registro.br por jovempanbh.com.br, encontramos a razão social Rádio Arco-Íris, com o CNPJ 022.731.210/0001-92. Essa razão social pertencia a uma rádio de Betim, adquirida por Andréa Neves (clique aqui e confira rádios suspeitas comandadas por políticos do PSDB/PMDB/PV, da base de sustentação do governo estadual), irmã do governador, que mistura nebulosamente negócios privados de comunicação com a coordenação da comunicação do governo.

"A antiga rádio Arco-Íris, que funcionava no bairro Guarujá, em Betim, antes nas mãos de políticos betinenses, foi vendida já há algum tempo e hoje funciona com a concessão alugada para a rádio Jovem Pan FM 99,1 MHZ. A dona da concessão, entretanto, é a irmã do governador Aécio Neves, Andréa Neves e outra parente; nome da entidade: Rádio Arco-Íris ltda.; cidade: Betim; TS: FM Canal: 256; sócios: (D) Andréa Neves da Cunha e Inês Maria Neves Faria."

Infelizmente a chance dessa ditadura ser desmascarada é zero, porque, inteligentes como são, os Neves controlam a notícia na fonte. Ou é verdade ou existe um complô mundial contra o nosso bondoso governador.



O grande Hagi chamou a atenção para o vídeo abaixo, que tenta desmentir e desqualificar o vídeo acima. Veja e tire suas conclusões. As minhas estão a seguir.



Em primeiro lugar, tentam dizer que saem sim notícias ruins sobre o governo. Ridículo. As notícias 'ruins' são sempre atribuídas a outros: "Assembléia faz isso", "servidores fazem aquilo", ou afirmações genéricas, como "devastação cresce". Mas as positivas são sempre "Governo faz isso", "Aécio faz aquilo". Simples assim

Não justificam o fato de publicarem um anúncio sobre o déficit zero no mesmo dia que o Jornal Nacional anunciou pomposamente o fato. Apenas dizem que "se o governo federal fizesse o mesmo, ninguém ia falar". Isso é justificativa? Dia 23/06 último foi divulgado um índice muito importante para o Brasil, a grande redução da desigualdade entre ricos e pobres. (CORREÇÃO graças à Bia): notícia muito mais relevante, mas não mereceu destaque no Jornal Nacional na mesma proporção que o 'déficit zero' em Minas...

Mas tem coisa absurda neste vídeo de acusação: não discuto os valores, mas o gráfico foi forçado demais. A conversão para dólar também é muito forçada. Sobre os gastos com publicidade e comunicação, o grande problema que todo mundo protesta contra este governo é que ele não precisa de tanta publicidade, já que a imprensa se encarrega disso, ou seja, a publicidade vem travestida de informação.

Sobre os desmentidos, é no mínimo curioso que alguém faça graves alternativas e depois diga "não foi bem assim"... o que será que falaram ou fizeram a estes jornalistas para se arrependerem do que disseram e mudarem de idéia tão radicalmente? Será que, se não fizessem isso, conseguiriam emprego em algum lugar do Brasil? :-)

Por que não falaram que a matéria sobre Aécio no Le Monde foi crítica, com fatos positivos e negativos, mas apenas divulgaram que "Aécio é internacional, tem charme e espontaneidade"?

Sobre os 'jornais' de Minas, basta dizer que o Estado de Minas, do grupo Diários Associados, é um grupo conservador e ligado às oligarquias em todo o Brasil, não só em Minas. O dono de "O Tempo" é Vitório Medioli, deputado pelo... PSDB, o partido do governador... e aí?

Arthur Schopenhauer, em seu livro "A Arte de ter razão" coloca como uma das estratégias para ganher um debate tentar desqualificar um ou alguns dos argumentos do oponente e depois, sem nenhuma comprovação, generalizar dizendo que ele está errado em tudo.

Parece ter sido o que aconteceu aí. De fato, só falaram que os jornalistas desmentiram a si mesmos depois (de novo: por quê?) e que os números de publicidade foram manipulados (foram mesmo). Mas não falaram sobre a matéria do déficit zero no mesmo dia da reportagem, sobre as notícias positivas que estão sempre com o nome e a foto do governador, enquanto as negativas são sempre atribuídas a servidores e órgãos públicos, sobre os depoimentos de vários jornalistas sobre a censura.

E colocam que a notícia saiu no site do PT, demorando um tempinho no símbolo do PT, pra ficar bem gravado e achar que, pelo fato de ter sido divulgado em um site de partido de oposição é justificativa para desqualificar... tem que sair em algum lugar mesmo, já que nos jornais oficiais do estado nunca vai sair nada.

Suspeito, muito suspeito. De tudo isso, fica uma coisa altamente positiva: a Internet tem o poder de furar a censura. Só o fato de o governo ter tido o trabalho de fazer vídeos tentando desmentir os 'da oposição' já é uma grande vitória, e nos dá esperança de democracia de verdade aqui em Minas.

10.4.08

Por quê? A quem interessa?

Olhando as principais notícias das últimas semanas, sempre distorcidas, exageradas ou parciais, fico me perguntando a quem interessa mostrá-las dessa maneira... exemplos:

1 - Caso da menina jogada do prédio. Não se chegou a conclusão nenhuma ainda, a quem interessa ficar demonizando o pai e a madrasta, numa sórdida riqueza de detalhes que me lembra outros casos clássicos de linchamento por parte da imprensa, como o da Escola Base em SP? Aliás, a quem interessa, por mais emotivo que seja, alçar este caso à condição de notícia número 1 do país?

2 - Por que uma revista como a IstoÉ, que já teve seus tempos de glória, que se vangloria em ser independente, iria distorcer uma manifestação contra a privatização da CESP em SP, chegando a apagar digitalmente em uma foto, a expressão "Fora Serra" (do PSDB, governador de SP)? A quem interessa? Será que o fato de estar falida e precisando desesperadamente de anunciantes faz com que tenham que agradar ao governo estadual mais poderoso do país?

3 - Apesar da violência e do já conhecido hábito de desrespeito aos direitos humanos por parte da China, por que tomar partido do Tibet diariamente no noticiário, ameaçar boicote às Olimpíadas, etc, etc, etc?

Bom, a quem interessa todos sabemos: aos EUA, que querem diminuir o poder da China. Porque quando o mesmo assunto envolve as condições da prisão deles em Cuba, de invasão do Iraque, ou de outros povos que massacram seus vizinhos, mas que são alinhados/aliados dos EUA, não vira notícia mundial. A questão é: por a grande imprensa do Brasil tem que nos empurrar essa briga distorcida, e fazer coro com os norte-americanos nesta "luta pela liberdade?". No Blog do Alon tem um post muito interessante, que esclarece pontos não abordados pela grande imprensa, como o fato de o Dalai Lama receber mesada da CIA e já ter sido ditador do seu povo, colocando a população como 'servos'...

4 - Por que quando um partido descobre maracutaias do outro, investiga-se as maracutaias (mensalão, etc), e quando esse outro descobre as maracutaias do primeiro, investiga-se o ato de investigar? Ou seja, falando em bom português: se o dossiê é contra o PT, investigue-se os crimes praticados pelo PT. Ótimo.

Mas, se o dossiê é contra o PSDB, o crime é investigar, é produzir o dossiê (desde a época dos "aloprados" na campanha de 2006, e agora essa dos gastos de FHC). Então, investigue-se o PT. Por que dois pesos e duas medidas? Por que o crime em si perde a importância? Em 2006, só se falou dos aloprados, do dossiê, mas ninguém investigou o objeto do dossiê, que era a participação de políticos do PSDB na máfia das ambulâncias. Por quê? Investigue-se as duas coisas: quem obteve dados sigilosos, como obteve, mas também o crime a que eles se referem. Não é simples?

Por quê? A quem interessa?

(atualização de 15/04: a charge abaixo, do blog do Orlandeli, resume bem o que eu falei acima, achei fantástica):