Reprodução na íntegra, por ser obrigatória, e sem qualquer comentário, por ser desnecessário.
Fica como sendo meu registro apenas a admiração pela obstinação do senador Cristóvam Buarque pela educação que, faz com que ele, como Eduardo Suplicy e Pedro Simon, sejam figuras vistas como diferentes (até folclóricas), por lutarem, sem interesses próprios, pelas verdadeiras causas pelas quais todos os nosssos governantes deveriam lutar, por serem nossos representantes. Infelizmente.
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Imaginei
Depois de me cansar dos problemas sociais brasileiros, despertei para o fato de que a solução está em uma revolução na educação. Nesta mesma coluna, publiquei dois artigos sobre o “cansei” e o “despertei”.
Agora, imaginei que todas as crianças brasileiras, entre quatro e dezoito anos, estavam assistindo aula. Não apenas matriculadas, mas freqüentando, assistindo, aprendendo, até o final do Ensino Médio. Imaginei que o dia escolar começaria na hora certa, e todas as crianças ouviriam juntas o Hino Nacional. Cada aula duraria o tempo previsto. Imaginei todas as crianças em bonitos uniformes, sem diferenças por renda, luxo, pobreza.
Imaginei que nenhuma criança iria embora logo após a merenda, e que depois do almoço elas ainda teriam atividades escolares complementares: nadariam, pintariam, jogariam, ouviriam música, aprenderiam idiomas, leriam, fariam trabalhos comunitários, assistiriam a filmes, fariam experiências científicas, teatro, dança, aprenderiam a tocar instrumentos musicais.
Imaginei que todas chegariam ao final do ano e passariam nos exames, por terem aprendido, sem necessidade de promoção automática. Que todos os jovens concluiriam o Ensino Médio, salvo raras exceções por motivos de saúde. E que o Ensino Médio teria 4 anos, garantindo também o domínio de um ofício, ensinado na própria escola. Todos aprenderiam a se deslumbrar com as belezas do mundo, a se indignar com suas injustiças, a entender a lógica das coisas, a querer fazer um planeta melhor e mais belo, a sobreviver dignamente no atual mundo do conhecimento.
Imaginei que todos os professores seriam muito bem remunerados, dedicados e bem formados. Que nenhum professor precisaria parar as aulas para pedir aumento de salário. Que um Plano Nacional de Carreira quebraria a vergonhosa desigualdade na qualificação e na remuneração dos professores, dependendo do Município e do Estado. E que todos os nossos professores disporiam dos mais modernos equipamentos pedagógicos, cujo uso dominariam. Cheguei a imaginar que, quando nascesse uma criança, seus pais desejassem para ela a profissão de professor.
Imaginei o fim da desigualdade na qualidade da educação no nosso país, e que a escola dos pobres seria igual à escola dos ricos, a dos morros igual à dos condomínios, todas com a máxima qualidade. Imaginei a escola do Brasil igual às melhores do mundo. Jovens disputando o vestibular em igualdade de condições, independentemente da renda de sua família e da cidade onde vivessem. E a universidade recebendo assim os melhores dos melhores entre todos os brasileiros, com a máxima formação, e não apenas os melhores entre os poucos que concluem o Ensino Médio, com a mínima qualificação. Imaginei que os melhores desses novos alunos optariam pela Carreira Nacional do Magistério. Imaginei a dinâmica e força dessa nova universidade, as pesquisas que ela desenvolveria, os profissionais que formaria, imaginei até os prêmios Nobel que o Brasil receberia.
Imaginei como estariam o desemprego, a violência, a corrupção, a desigualdade, a pobreza, a eficiência, a auto-estima, a participação, a cidadania, a economia, a saúde, a ciência e tecnologia, o meio ambiente, quando todos os brasileiros tivessem uma educação da maior qualidade. Vi que tinha imaginado um Brasil completamente diferente daquele que a realidade nos faz temer, porque o futuro tem a cara que as escolas têm no presente.
Então imaginei o mais difícil: que todos acreditariam que tudo isso era possível e necessário. Pensei que, se todos imaginássemos juntos, o caminho estaria aberto para transformar a imaginação em realidade. Que se os diferentes partidos, em sucessivos governos, se unissem para fazer aquilo que imaginei, o imaginado aconteceria.
Foi então que li no jornal que isso havia acontecido! O presidente e os governadores de diferentes partidos tinham se unido e feito um pacto em torno de um projeto que levará sete anos, quase o tempo suficiente para toda uma geração concluir o Ensino Fundamental. Mas era para a Copa do Mundo.
Cristóvam Buarque é senador (PDT-DF)
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Blog para discutir minhas posições pessoais sobre política, justiça, cidadania, marketing e tecnologia
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10.11.07
Imaginei - por Cristóvam Buarque
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9.11.07
É Copa do Mundo ou Vale-Tudo, Aécio?
Agora que acabou a primeira farra do "A Copa do Mundo é nossa", que levou 13 governadores para a Suíça presenciarem o anúncio do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, já começou a aparecer o lado podre da festa.
Primeiro que já era suspeito esse tanto de gente ir passear na Suíça, com o pretexto de "fazer pressão pela candidatura do Brasil", se o Brasil era candidato único e era só uma formalidade.
Segundo que o anúncio foi na terça ou quarta, o cara mais importante da festa, que foi o presidente Lula, chegou no dia do anúncio. Já oportunistas como Aécio Neves chegaram no fim de semana anterior, e aproveitaram pra passear. Ah, tá, eles ficaram trabalhando o fim de semana pela candidatura do Brasil...
Nessa festança, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira apresentou a fatura: quem quiser ser sede da Copa tem que trabalhar pra abafar a CPMI (CPI mista) que investigaria as falcatruas cometidas pelos dirigentes do Corinthians nos últimos anos, coisa que certamente respingaria na CBF.
O resultado saiu ontem, 08/11: o pedido de instalação da CPMI foi rejeitado por faltarem 2 ou 3 assinaturas, sendo que havia mais de 100 de sobra há uma semana. 111 parlamentares (105 deputados e 6 senadores) retiraram suas assinaturas e ajudaram a enterrar ainda mais a reputação dos políticos. Quem foi o que mais trabalhou por essas retiradas? Ele, Aécio Neves. Saiu alguma coisa em jornais de Minas? Não, não saiu. Reproduzo abaixo então, as notícias que saíram no Globo sobre o assunto.
Incluo o link para a lista de parlamentares que retiraram suas assinaturas, entre eles, para minha decepção, está a deputada em quem voto desde que era vereadora, Jô Moraes (PCdoB), a quem vou questionar por e-mail sobre os motivos da retirada, e pretendo nunca mais votar nela.
Minas Gerais é estado campeão na 'deserção' da CPI do Corinthians
Evandro Éboli - O Globo
BRASÍLIA - Dos 105 deputados federais que retiraram suas assinaturas do requerimento de abertura da CPI que investigaria a relação entre o Corinthians e o MSI, além de outras questões de futebol, 22 são de Minas Gerais. Foi o estado que teve o maior número de parlamentares que recuaram na assinatura. O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), está empenhado em não apenas ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 como briga para levar para Belo Horizonte a partida entre as seleções do Brasil e da Argentina, pelas eliminatórias da Copa de 2010. O jogo será no ano que vem.
Todos os seis deputados do PSDB mineiro assinaram, para em seguida retirar suas assinaturas da CPI. São eles: Bonifácio Andrada, Eduardo Barbosa, Nárcio Rodrigues, Paulo Abi-Ackel, Rafael Guerra e Rodrigo de Castro. Este último é filho do ex-deputado Danilo de Castro, secretário de governo de Aécio. Ao todo, 13 tucanos de todo o país retiraram suas assinaturas. Silvio Torres (PSDB-SP), autor do pedido de CPI, disse que faltou solidadriedade de seu partido e disse que eles não resistiram às pressões da CBF e dos governadores de seus estados.
CPI do Corinthians: Confira a lista de parlamentares que retiraram assinaturas
Primeiro que já era suspeito esse tanto de gente ir passear na Suíça, com o pretexto de "fazer pressão pela candidatura do Brasil", se o Brasil era candidato único e era só uma formalidade.
Segundo que o anúncio foi na terça ou quarta, o cara mais importante da festa, que foi o presidente Lula, chegou no dia do anúncio. Já oportunistas como Aécio Neves chegaram no fim de semana anterior, e aproveitaram pra passear. Ah, tá, eles ficaram trabalhando o fim de semana pela candidatura do Brasil...
Nessa festança, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira apresentou a fatura: quem quiser ser sede da Copa tem que trabalhar pra abafar a CPMI (CPI mista) que investigaria as falcatruas cometidas pelos dirigentes do Corinthians nos últimos anos, coisa que certamente respingaria na CBF.
O resultado saiu ontem, 08/11: o pedido de instalação da CPMI foi rejeitado por faltarem 2 ou 3 assinaturas, sendo que havia mais de 100 de sobra há uma semana. 111 parlamentares (105 deputados e 6 senadores) retiraram suas assinaturas e ajudaram a enterrar ainda mais a reputação dos políticos. Quem foi o que mais trabalhou por essas retiradas? Ele, Aécio Neves. Saiu alguma coisa em jornais de Minas? Não, não saiu. Reproduzo abaixo então, as notícias que saíram no Globo sobre o assunto.
Incluo o link para a lista de parlamentares que retiraram suas assinaturas, entre eles, para minha decepção, está a deputada em quem voto desde que era vereadora, Jô Moraes (PCdoB), a quem vou questionar por e-mail sobre os motivos da retirada, e pretendo nunca mais votar nela.
Minas Gerais é estado campeão na 'deserção' da CPI do Corinthians
Evandro Éboli - O Globo
BRASÍLIA - Dos 105 deputados federais que retiraram suas assinaturas do requerimento de abertura da CPI que investigaria a relação entre o Corinthians e o MSI, além de outras questões de futebol, 22 são de Minas Gerais. Foi o estado que teve o maior número de parlamentares que recuaram na assinatura. O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), está empenhado em não apenas ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 como briga para levar para Belo Horizonte a partida entre as seleções do Brasil e da Argentina, pelas eliminatórias da Copa de 2010. O jogo será no ano que vem.
Todos os seis deputados do PSDB mineiro assinaram, para em seguida retirar suas assinaturas da CPI. São eles: Bonifácio Andrada, Eduardo Barbosa, Nárcio Rodrigues, Paulo Abi-Ackel, Rafael Guerra e Rodrigo de Castro. Este último é filho do ex-deputado Danilo de Castro, secretário de governo de Aécio. Ao todo, 13 tucanos de todo o país retiraram suas assinaturas. Silvio Torres (PSDB-SP), autor do pedido de CPI, disse que faltou solidadriedade de seu partido e disse que eles não resistiram às pressões da CBF e dos governadores de seus estados.
CPI do Corinthians: Confira a lista de parlamentares que retiraram assinaturas
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