Como diria o Sílvio Santos, "eu não vi, mas o Noblat viu" :-)
Campanhas de gosto duvidoso exaltando o famoso "jeitinho brasileiro" sempre existiram e sempre me irritaram. Esta instituição genuinamente brasileira, em que nós supostamente gostamos de levar vantagem em tudo, é atribuída oficialmente a um comercial de cigarros com o ex-jogador Gérson na década de 1970, acho. Inclusive discute-se isso até hoje, se eles de fato quiseram levar pro lado da sacanagem, com a expressão (não sei se é assim mesmo) "brasileiro gosta de levar vantagem em tudo, certo?". Os autores dizem que não.
Como também se discute se a ainda mais célebre frase "os fins justificam os meios", que levou à criação do termo "maquiavélico" pra designar um cara que faz de tudo pra atingir seus objetivos, não foi tirada fora de contexto da obra de Maquiavel. Não tenho conhecimento suficiente para me posicionar a favor ou contra, quem sou eu. Mas vou ler e ter minha opinião :-)
Bom, voltando ao assunto, me vem à cabeça um comercial simplesmente ridículo da Ford de alguns anos atrás, mostrando que quem era cliente Ford teria direito a passar por cima dos direitos dos outros. Uma propaganda era um avião jogando um passageiro pra fora pra colocar um cliente Ford. Em outra, o garçom desarrumava grosseiramente a mesa posta a um casal pra acomodar um outro casal, clientes Ford. Patético.
Agora, essa, da Brasil Telecom, tirada do Blog do Noblat e que pode ser lida aqui:
Um favor por R$ 15,00
A Brasil Telecom acaba de se credenciar ao Oscar publicidade de mau gosto. Botou no ar em horário nobre das TVs um comercial - "Aqui é o lugar" -, onde mostra uma velhinha subindo com dificuldade uma escada numa noite chuvosa. Aparece então uma loira bonitinha e pergunta se ela quer ajuda. "Por favor", alegra-se a velhinha. Boçal, a moça responde, com um sorriso cínico: "Por favor, não. São R$ 15.". Aí entra o locutor pra avisar que, de graça, só na Brasil Telecom.
O comercial levou alguns brasileiros sensíveis a protestar, indignados, junto ao Conselho Nacionl de Auto-Regulamentação Publicitária (CONAR). Um deles, o universitário Diego Cavalcanti Cunha, de Brasília, resume no torpedo que enviou à operadora o que muitos pensam do anúncio:
- Ao mostrar uma moça cobrando para ajudar uma idosa, a companhia ofende todos aqueles brasileiros que preferem acreditar no país e, mais ainda, aqueles que procuram de fato trabalhar por uma outra realidade. O resultado não podia ser pior: ao invés de criar uma imagem de uma empresa que aposta no país e busca melhorá-lo – caso das tantas que se associam a causas sociais e ambientais –, a Brasil Telecom prefere zombar de toda e qualquer noção de valor presente no Brasil. O resultado é um verdadeiro tiro no pé da própria empresa.
Moral da história: a Brasil Telecom levou na testa a abertura da representação n° 50/07 do Conar, que está investigando a grosseria do anúncio.
Continuo me indignando, apesar de mais exemplos em contrário, com as pessoas que dizem "só podia ser no Brasil mesmo", "ê povinho de m...", "essas coisas só acontecem no Brasil", "se fosse lá fora isso não acontecia" e coisas afins. A maioria imensa das pessoas que dizem que falta de educação, de senso comunitário, de respeito, etc são coisas intrìnsecas ao brasileiro e que não podemos fazer nada quanto a isso, pra mim estão apenas justificando a própria falta de educação, pois agem assim sem nenhum remorso.
Concordo - e luto contra isso no Foto Cidadão que muitos brasileiros são mal-educados. Os mais ricos principalmente, que acham que mais dinheiro significa mais direitos. Mas depende da gente mudar isso, não adianta ficar rindo do Brasil enquanto se empanturra de comida numa mesa ou puxa assunto inútil numa fila ou elevador, por falta de assunto melhor pra falar.