O buffet dos cansadinhos está cada dia mais cheio de gente, já enche uma van (com ar-condicionado e vidro blindado, claro), e daqui a pouco vai ser capa da Caras ou o Faustão vai criar o "Circo do Cansei do Faustão". Depois da adesão de patriotas exemplares como Ana Maria Braga e Ivete Sangalo (não li, mas provavelmente o fascista Rodrigo Mainardi deve estar entre os maiores incentivadores), agora foi o presidente da Philips do Brasil, Paulo Zottolo que, no meio de seu discurso cívico, saiu-se com essa (retirada do
Blog do Josias, da Folha):
"Não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado."
Que chique! É isso aí, vocês podiam proclamar a independência dos cansados, com capital na Costa do Sauípe ou Angra dos Reis, criar o bolsa-helicóptero, o bolsa-Sorbonne, a ponte aérea Rio-Miami e viverem muito felizes, sem os pobres pra lhes atormentar. Para seu presidente, poderiam escolher algum grão-tucano chique, o próprio Fernando "mulatinho" Henrique Cardoso, ou o Roberto Justus, ou a Narcisa Tamborindeguy. Quem sabe até Renan Calheiros, cujos métodos de enriquecimento não são nenhum segredo para os cansadinhos, oportunistas, sonegadores.
Mas espera aí: que graça vai ter? Vão jogar ovos em quem de suas varandas em Copacabana/Ipanema? Melhor ficar assim mesmo, explorando os pobres e reclamando cansadinhos, né?
Como sempre, essa casta só sabe reclamar, e soltar as frases que conhecemos ("só podia ser no Brasil mesmo", "o último que sair apague a luz", "ê povinho de m.", "no primeiro mundo isso não aconteceria", "nossa! que lindo! parece coisa de primeiro mundo!". Façam alguma coisa positiva, burgueses-manés! Podiam começar parando de sonegar impostos, por exemplo.
O Josias (de novo), em seu blog,
define muito bem:
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Por ora, o ideário do “Cansei” é um amontoado de “nãos”. Não ao caos aéreo. Não à violência. Não às balas perdidas. Não à corrupção. Não a isso. Não àquilo. As “propostas para o Brasil” ainda não foram apresentadas.
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Diz estar de saco cheio de tudo o que não presta. Logo, logo incluirá na lista o câncer e o chope quente. Arrisca-se a gastar energia com uma indignação inconseqüente. Ou a coisa se organiza ou quem olhar de longe só vai enxergar dois tipos de heróis da resistência: os bobos e os cínicos.
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Depois de escrever a parte aí de cima, li o que fizeram com os parentes das vítimas do acidente da TAM hoje, 17/08/07: convocaram essa gente que veio do Brasil todo, mas não os deixaram subir - esse privilégio era só pros "artistas" e "empresários" que apóiam o movimento. Lamentável.
Ato do 'Cansei' frustra parentes de vítimas do Airbus - ANNE WARTH - Agencia Estado
SÃO PAULO - O ato do Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, mais conhecido como "Cansei", foi marcado por desorganização por parte das lideranças e revolta dos familiares das vítimas do acidente com o Airbus da TAM, que completa hoje um mês. Cerca de 40 parentes, vindos de todas as partes do País, compareceram a Praça da Sé, mas não puderam subir ao palco que foi montado no local para os organizadores e artistas que aderiram à manifestação.
Enquanto o protesto acontecia, os familiares ficaram represados na rampa de acesso ao palco. Nem se quer a presença do grupo foi citada pela organização. "Disseram que o palco estava cheio e que poderia cair se subíssemos. Estava cheio de artistas e seguranças. Nós éramos quem deveria estar lá em cima", disse Luciana Haensel, filha de Ângela Haensel, que veio de Porto Alegre para participar do ato em memória de sua mãe, passageira do vôo 3054 da TAM.
"Isso não nos abala. Vamos fazer a nossa homenagem logo mais, à tarde. Fomos usados por este movimento", disse Ana Queiroz, mãe de Arthur Queiroz, vítima do acidente aéreo, que veio do Recife. Familiares das vítimas farão hoje, às 17h30, uma passeata do saguão do Aeroporto de Congonhas, zona sul da capital paulista, até o local do acidente, onde depositarão flores sobre os escombros.
O empresário João Dória Jr, presidente do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), pediu desculpas aos familiares. "Fizemos uma coisa indelicada e injusta com vocês", admitiu. Ele explicou que dois familiares subiriam ao palco para representar todo o grupo, mas o ato foi encerrado antes que eles pudessem se manifestar.
Nova atualização, 18:00 de 17/08/07 - numa nova demonstração de golpismo, autoritarismo e egoísmo na "manifestação" do Cansei em Porto Alegre, vejam o que aconteceu a esta pessoa que veio falar em solidariedade, desigualdade e fim de privilêgios (leia notícia completa
aqui):
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Quando a manifestação parecia encerrada, a industriária baiana Maria Auxiliadora Pinho de Carvalho pediu a palavra. No discurso, sugeriu solidariedade também às milhares de vítimas de acidentes rodoviários no Brasil, afirmou que o maior problema do País é a desigualdade e quando propôs que a classe média se disponha a abrir mão de privilégios, teve sua palavra cassada pelo corte do som do microfone. Logo se viu cercada e insultada por alguns manifestantes.
Para acabar com o tumulto, agentes de segurança do aeroporto escoltaram Maria Auxiliadora para longe da manifestação. No trajeto ela disse que o "Cansei" não é democrático. "Não sou contra a classe média", afirmou. "O que eu gostaria é que ela fosse aumentada pela inclusão de mais pessoas". Logo depois entrou na área de embarque para viajar a Salvador.
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